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  • Gabriel Reis, CFP®

Qual o seu objetivo ao investir em ações? A psicologia por trás...

Se você parou para ler este artigo, com certeza você quer ganhar mais dinheiro e de preferência em um curto prazo e em um bom percentual, certo?! Para isso, um dos caminhos que temos é aplicarmos o dinheiro que já temos em investimentos de mais risco. (Afinal, qualquer investimento que traga mais rentabilidade em menos tempo tem mais risco). Muito bem, dito isso, a primeira ideia que pode vir a nossa mente é as famosas AÇÕES! Aquele tipo de investimento que vemos nos jornais com movimentações de 10%, 20%, 50% em determinados períodos. Ou então, que vemos em vídeos do Youtube investidores triplicando seus patrimônios em questão de meses. Isso é realmente tentador e nos faz cogitar colocar pelo menos uma parte do que guardamos nessa classe de investimentos.

Nesse momento, de tomar a decisão de investir em ações, tendemos a procurar orientação, seja através de profissionais, artigos, livros, vídeos, cursos etc. E algumas das principais perguntas que qualquer uma dessas fontes nos fazem são: “Qual o seu objetivo para esse dinheiro” ou “Quanto tempo você pretende deixar investido?” ou então “Esse investimento é para longo prazo?! Certo”. Quase como uma pergunta que já vem respondida, respondemos falando para nós mesmos: “Sim, esse valor é para longo prazo.”, “Esse não tem problema se eu perder uma parte, entendo os riscos”, ou então sendo mais sinceros “não tenho nada definido, nem objetivo, nem prazo... Só quero ganhar um dinheiro a mais”. E é sobre essas perguntas e respostas que venho provocar a reflexão.

Essas perguntas citadas acima não são feitas por acaso por todas as fontes de orientação (pelo menos as competentes), são as principais informações ao se definir um investimento, exatamente por determinar o sucesso ou fracasso de determinada estratégia. O problema mora em não sabermos as respostas, não termos parado boas horas para refletir sobre isso. Muitas vezes, em respostas prontas como “esse investimento é para longo prazo”, não paramos de fato para pensar quanto é o longo prazo para nós. Ou se nesse meio tempo eu não vou precisar trocar de carro, pagar a faculdade, talvez perca o emprego e tantos outras mudanças que podem acontecer até o longo prazo chegar.

Em 2002, um psicólogo chamado Daniel Kahneman ganhou o prêmio Nobel de economia ao desenvolver teorias que explicam nossa tomada de decisão no mundo financeiro, tanto para consumo quanto para investimentos. Ele dividiu nosso sistema mental de raciocínio em dois sistemas, chamados simplesmente de sistema 1 e sistema 2. Sendo o sistema 1 um sistema mais rápido, intuitivo, reativo e emocional, movido por sentimentos, que eu vou ousar chamar nesse caso de sistema de curto prazo, para facilitar a minha conclusão. E o sistema 2 como sendo um sistema mais lento, analítico, racional, movido pela lógica, que vou chamar de sistema de longo prazo.

Ele concluiu que nossas decisões são tomadas guiadas pelo sistema 1, (diferentemente dos que outros economistas acreditavam), ou seja, normalmente consultamos apenas a instintos ou poucas reflexões, algo que ele chama de Heurísticas, um dos principais conteúdos em finanças comportamentais. Por esse motivo gostamos de promoções, descontos, lançamentos, produtos exclusivos, isso bate em sentimentos, não em raciocínios complexos. Trazendo isso para o mundo dos investimentos, por exemplo, quando temos dinheiro aplicado, principalmente investimentos de risco, muitos sentimentos aparecem: Ansiedade, medo, impaciência ou até euforia, felicidade... Sentimentos extremamente naturais. Porém, tendemos a corresponder a esses sentimentos, agindo conforme as heurísticas, usando a minha tradução, pensando somente no curto prazo.

Sendo assim, a solução para não sofrermos tanto ou para não reagirmos tão impulsivamente como vender uma ação em apenas uma semana da aplicação pois ela subiu, ou não conseguir vender uma ação que está caindo muito, está na origem desses sentimentos e na intensidade deles... Que na minha opinião, está na resposta mais sincera a pergunta que fiz anteriormente, qual o objetivo para o seu investimento. Quando não temos clareza do porquê estamos comprando uma ação, tendemos a querer algo abstrato, talvez um sentimento, consequentemente, reagiremos sentimentalmente. Já quando temos um horizonte de prazo ou uma estratégia mais clara tendemos a analisar com o sistema 2 nosso investimento, podendo avaliar com mais calma, não precisamos passar o dia olhando as ações e consequentemente tomar decisões mais lentas e com foco no longo prazo.

Se você responder com sinceridade a pergunta e sua resposta for que pretende investir por apenas alguns dias ou meses para especular o mercado e apenar ganhar um dinheiro no curto prazo. Talvez você precise alinhar as expectativas para isso, tanto de ganho quanto de risco que pretende tomar. Afinal, o mercado é imprevisível, principalmente no momento que estamos, uma das épocas mais complicadas da história. Já se você respondeu e sua resposta foi para longo prazo, ou por que avaliou muito bem a empresa que vai investir, vale saber que essa conclusão foi tirada com base no livro Rápido e Devagar, de Daniel Kahneman e no acompanhamento da filosofia de investimento de Warren Buffet, o principal investidor do século e um dos mais pacientes da história.

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