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  • Gabriel Reis, CFP®

Fundos de Investimentos e suas Taxas

Sempre que pensamos em montar uma carteira de investimentos, buscamos nos informar, buscar referencias e em alguns casos até buscar profissionais que possam nos guiar com suas opiniões. Um dos meios mais conhecidos são os Fundos de Investimentos, que nos permitem literalmente entregar nosso dinheiro para que gestores profissionais invistam. Os gestores têm total liberdade de investir tomando as próprias decisões, contando com suas equipes de análise. Porém, seguindo algumas diretrizes que delimitam as posições e o objetivo de fundo, para que haja um alinhamento com o que os investidores esperam daquele fundo, tanto em risco quanto rentabilidade.


Essas delimitações são organizadas em nomenclaturas que já distinguem o fundo no seu nome. Os principais tipos são os de Renda Fixa, Multimercado, Ações, entre outros. Ou seja, um fundo de renda fixa, tem algumas delimitações das posições, que impedem os gestores de posicionar todo o um fundo em ações, por exemplo. O mesmo acontece com o Multimercados e até mesmo com o de ações, que delimita um mínimo em ações que esse fundo deve ter.

Porém, para os gestores toparem gerir o nosso dinheiro e de vários outros cotistas, normalmente bilhões de reais, eles cobram, e cobram bastante, afinal, hoje as pessoas mais experientes e mais influentes do país são gestores de fundo. Normalmente essa cobrança se dá através de taxas cobradas sobre o valor que temos no fundo. Por exemplo uma taxa de administração, que cobraria 1% ao ano do valor que temos no fundo. Outro exemplo seria uma taxa de performance, que cobraria 20% do que superar o CDI. E é exatamente nessas taxas que moram o problema.


Atualmente com a Taxa Selic a 3% a.a, todos os investimentos do mercado passam a rentabilizar menos. As rendas fixas que normalmente são atreladas a juros, e até mesmo as posições de maior risco, pois existe uma relação de risco com a taxa livre de risco (Selic). Isso faz com que 1% ao ano, sendo cobrado como administração, seja pior, do que 2% ao ano de administração quando nossa Taxa Selic estava a 15% a.a.


Por exemplo: Um fundo que cobra 1% de taxa de administração, precisa rentabilidade aproximadamente 133% do CDI, para conseguir cobrar essa taxa e entregar 100% do CDI para o cliente. Ou seja, esse fundo do exemplo, terá que se “expor” mais para conseguir entregar a rentabilidade de um título público que é a aplicação mais segura do Brasil. Se considerarmos uma taxa de 2% ao ano então. Essa rentabilidade que o fundo precisa entregar quase dobra, indo a aproximadamente 166% do CDI, para o cliente receber os mesmos 100% do CDI.


Sendo assim, imagine um fundo de renda fixa, que tem limitações de posição e de exposição, que cobra 1% de administração, precisando rentabilizar 130% do CDI para conseguir entregar o mesmo que um ativo de renda fixa sem risco, que são os títulos públicos. É uma aplicação muito mais confortável para você mesmo fazer a gestão, sem precisar pagar ninguém. Ou seja, é menos risco e mais barato fazer a aplicação na própria renda fixa.


Agora imagine um fundo multimercado, que já tem mais liberdade de aplicação e até mesmo o objetivo de rentabilizar mais que a renda fixa. Esses fundos normalmente cobram 2% de administração, pois se ele entregar uma rentabilidade que você considere interessante, seja 7% em um ano, 9% em um ano, seria uma rentabilidade muito mais difícil de você conseguir alcançar sozinho, sem ter contratado esse gestor.


Ai vem o segundo problema, a taxa de performance. Pois imaginemos o exemplo de um fundo rendendo 9% em um ano. Ele irá cobrar os 2% de administração, sobraram 7% de rentabilidade. Desses 7%, o fundo irá cobrar 20% sobre o que exceder o CDI, para arredondar, irá cobrar 20% sobre 4%. Ou seja, o fundo irá cobrar mais 0,8% da rentabilidade em forma de performance. Sobraram 6,2% de rentabilidade neste ano para o cotista. Portanto, ainda foi um bom negócio, porem o fundo correu um risco razoavelmente mais alto do que o resultado que o investidor realmente teve.


Sendo assim, perceba que o momento atual, de taxas de juros baixas, tanto para fundos conservadores quanto para fundos agressivos, as taxas cobradas pela gestão acabam pesando no bolso do investidor, já que boa parte do risco que esses fundos correm acabam ficando para a própria gestão. Para esse cenário trago três sugestões: A primeira, de procurarmos por fundos com taxas mais baixas, que equilibrem a rentabilidade para o investidor, não ficando tanto para gestão. A segunda solução é deixar para investir em fundos que cobrem taxas mais altas em momentos que taxa juros mais altas, que equilibrem essa balança. E por último, é encontrar fundos que mesmo com taxas mais altas a rentabilidade deles compense para investidor o pagamento delas.


OBS: O que praticamente ninguém sabe, é que as gestoras de fundos divulgam a rentabilidade dos fundos já com essas taxas descontadas. Por exemplo, se você ver que um fundo rendeu 110% do CDI no mês passado, ou no ano passado, na verdade o resultado original dele foi maior e já foram pagas as taxas para gestão. Porém, o mesmo acontece se seu fundo rentabilizou somente 50% do CDI, na verdade ele rentabilizou mais e teve a cobrança pelo menos da taxa de administração, que é cobrada sempre, mesmo que o fundo dê negativo.

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